Salgueiro 1963 – Xica da Silva, o desfile show

Por Danilo Bezerra (convidado)

Entre as décadas de 1940 e 1960 os carnavais brincados na cidade do Rio de Janeiro foram marcados por intensas modificações. Nesses anos, as escolas de samba avançaram com seus desfiles pelas principais avenidas da cidade, sob os auspícios do investimento público, da imprensa periódica e dos foliões. 

Sob um prestígio inédito e contínuo, essas foram décadas de um processo constante de espetacularização e comercialização dos desfiles das escolas de samba, sem que seus foliões fossem consultados. Tal movimento, que envolveu a modernização das condições de produção desses préstitos, não gerou, também, o reconhecimento da cidadania dos setores populares nele envolvidos. 

Seu ápice, e também desfecho, se deu em 1963, com a transferência dos desfiles para a Avenida Presidente Vargas, signo da modernidade industrial carioca, e o desfile Xica da Silva, que inscreveu, por certo, e por duas razões diversas – a temática negra e o investimento pecuniário – o Acadêmicos do Salgueiro entre as grandes escolas de samba do Rio de Janeiro. 

Por ser mais larga, a Avenida Presidente Vargas comportava a montagem das arquibancadas em frente à Igreja da Candelária, e encerrava um desejo antigo da imprensa e do poder público em torno da mercantilização do espetáculo por elas ofertado. Em 1963, o início da cobrança de ingresso para ver os desfiles, antes gratuitos, inseriu esses agrupamentos populares em uma dinâmica de mercado de bens culturais destoante da dos anos anteriores. 

A visão da Presidente Vargas com suas arquibancadas montadas no desfile do Salgueiro de 1963. (Revista O Cruzeiro)

Representativa dessa reorientação foi a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. A recorrência aos temas negros no Salgueiro foi analisada por uma parte da bibliografia especializada como um pioneirismo que ganhou projeção nos anos 1960, a partir de desfiles encabeçados pelo professor da Escola de Belas Artes Fernando Pamplona com seu parceiro Arlindo Rodrigues. A questão já foi matizada em trabalhos recentes(1) e é preciso dizer que a temática negra não era o apanágio exclusivo da “Vermelho e branco” dos anos Pamplona-Rodrigues; algumas escolas já haviam trazido enredos que versavam a negritude brasileira, com desfiles sobre a Bahia, a Lei Áurea e até o próprio samba, produto afro-brasileiro por excelência.(2) O que não existia ainda seria a visão de um enredo narrado de forma linear num conceito euro-centrado de espetáculo, importados dos palcos do Municipal. 

O fastígio salgueirense com o enredo “Xica da Silva” alçou de vez o Salgueiro entre “as grandes” e logrou para a história uma versão que tonificou a temática negra como apanágio exclusivo da vermelho e branco. Nesse sentido, cabe pensar em por que Chica da Silva ficou conhecido como um desfile que marcou época? 

A cenografia de “Xica da Silva”, assinada por Arlindo Rodrigues, foi um acontecimento no carnaval de 1963; a escola siderou toda a Presidente Vargas. Arlindo Rodrigues lançaria mão de elementos que repercutiram e se fixaram na histórica carnavalesca como inovadores, mas que de alguma maneira já estavam presentes, sendo cristalizados e reafirmados a partir de sua criação. Eles respondiam muito bem à nova espacialidade dos desfiles que ganhavam um palco ainda mais espetacular e também à série de anseios e expectativas tanto dos seus pares intelectuais, como da mídia e da população interessada em consumir esse espetáculo. Assim, “Xica da Silva é o ponto culminante da história de uma escola que já nasceu grande, disputando títulos desde sua fundação” (BRUNO, 2013, p. 37).

O desfile é ponto culminante de uma transformação e uma série de discussões que já vinham ocorrendo há pelo menos cinco anos antes, como em Debret (1959), em que já discutiria teatralidade, encenação e narrativa. A apresentação de 1963 é herdeira direta desta primeira célula e reafirma uma série de transformações que haviam sido implantadas primeiro por Nelson de Andrade e o casal Nery, depois marcadas discursivamente na atuação de Fernando Pamplona em contato com os movimentos folclórico, abstracionista, racial e engajado. (ANTAN, 2019) Se a historiografia marca o desfile “Quilombo dos Palmares” como uma revolução liderada por Pamplona, ele seria apenas um importante sintoma do processo que as escolas viviam. Se a narrativa negra já era presente, o cenógrafo consegue acoplar a ela uma linguagem ligada ao espetáculo que ia de encontro aos desejos de consumidores da classe média, a mesma que ele queria expurgar e fazia parte.

No aspecto visual da apresentação, a estética africana geométrica inaugurada três anos antes não se repetiria. A própria ideia de uma ala em que se dançava um “minueto”, e não uma dança “tipicamente africana”, mostraria que, apesar do discurso oficial da “negritude”, Arlindo ressignificaria a pauta trazendo uma estética mais teatral e dentro do que uma classe média pudesse assimilar mais facilmente num momento definidor do recém-criado estado da Guanabara, cujos planos em torno do controle e mercantilização dos desfiles alinhavavam-se à projeção dessas escolas como produto da eterna “capital cultural” do país. Nesse contexto, a resposta de Arlindo foi unir o discurso engajado a um show visual espetacular e impressionante, conquistando a massa, a intelectualidade e a mídia. (ANTAN, 2019) Assim nasceu um Xica da Silva para o Brasil e o Salgueiro se tornou definitivamente uma escola campeã e histórica do Carnaval brasileiro.

O Correio da Manhã destacou o “ziriguidum” salgueirense. A nova futura musa da escola, Isabel Valença, vestida da ex-escrava, agora nobre, Chica da Silva, desfilou em fantasia que valia 1 milhão e 200 mil cruzeiros, costurada pelo estilista Carlos Gil, pesando mais de 25 quilos, cauda de 3 metros, uma infinidade de paetês, cristais, pérolas e pedras semipreciosas, além da imponente peruca de fio de nylon francês medindo cinquenta e cinco centímetros. 

Isabel Valença incorpora sua Xica da Silva e seu extravagante figurino.

A Xica incorporada por Isabel e idealizada por Arlindo é majestosa, imponente e invejada, como narrou o samba-enredo de Anescarzinho e Noel Rosa de Oliveira. Não à toa a visão subversiva de uma mulher negra trajando um figurino deslumbrante fascinou a todos, produziu uma imagem positiva de figura negra e muito se inspirou na representação que Cecília Meireles fez em seu “Romanceiro da Inconfidência”, livro que serviu de base para criação do desfile. O diretor de harmonia, Fábio de Melo, que, sob o ponto de vista da evolução do desfile, era tão importante quanto o próprio carnavalesco, frisou que a escola trouxera para a avenida 2.300 figurantes, sendo 350 ritmistas, entre os quais havia 50 mulheres. Pontualmente, entre as vedetes, a escola também apostava em Monsueto e na “fabulosa Paula”, que ficou conhecida como Paula do Salgueiro. Ambos “embaixadores plenipotenciários do ritmo e da música popular brasileira”, que “deveriam receber atenção especial da “indústria do turismo”, posto que “hoje [1963], não mais existe cidadão que considere completo o seu programa de carnaval se antes não assistiu a um ‘show’ de samba, na autenticidade dos ensaios gerais” (Correio da Manhã, ‘CHICA DA SILVA’ LEVARÁ SAMBA DO MORRO PARA A PASSARELA DO MUNICIPAL, 23/02/1963, p. 01, 2º cad.). 

Pela primeira vez encontramos a menção à “indústria do turismo” no contexto carnavalesco. As escolas de samba, mais especificamente a Salgueiro, com seus embaixadores, fantasia milionária e alas-show, eram relacionadas como parte desse programa de turismo, pois perfaziam um “show” autêntico, com “esplendor coreográfico e colorido imponente de fantasias que custaram milhões”, agora na “reclamada experiência” da Av. Presidente Vargas.

A revista Manchete, em página dupla, estampou uma foto aérea tirada, muito provavelmente, da janela de algum dos prédios da Av. Presidente Vargas. Nela, além dos grandes pilares decorativos montados ao largo da pista, a ala de frente com seus componentes “capricham nas evoluções sobre o tema lendário de Chica da Silva” (Manchete, SAMBA: O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA, 09/03/1963, p. 84-85).(3)

Ponto fulcral na longeva existência das escolas de samba é sua capacidade de dialogar com outros segmentos. Atentos às novidades e às demandas do contexto que tencionava ao mercado do turismo, o desfile do Salgueiro trouxe um grupo coreografado por Mercedes Baptista. Com táticas diferentes, o balé coreografado salgueirense foi composto por doze casais, projetando-se como uma face a mais dentro da dinâmica dessas escolas. Esses elementos – a coreografia do balé, as lâmpadas e a alegoria móvel – dão a dimensão cenográfica e teatral, relatadas anteriormente como apanágio salgueirense. A coreografia do minueto era mais um elemento de uma tentativa de reprodução histórica da época contada no desfile, já que a dança é descrita no livro “Memórias do Distrito Diamantino”. O grupo coreografado pode ser entendido tanto no âmbito narrativo, como artifício cênico e artístico para ajudar no desenvolvimento do enredo e reforçar uma ambientação histórica, quanto como elemento articulador entre o trânsito de diversos intelectuais da cultura brasileira no universo das escolas de samba. No contexto de espetacularização da festa, a ala marcava também um elemento que deveria “surpreender” e “encantar” o público. 

A ala do Minueto coreografada por Mercedes Baptista no desfile de 1963.

Outra tática do espetáculo, mais evidente, era o uso de acrobacias dos passistas, “verdadeiros cobras”, no desfile-show de “Calixto” nos pratos, “Fu Manchu” na cuíca e o “incrível” Davi do pandeiro, todos à frente da bateria da Império Serrano. O samba-puladinho, de gafieira, e a dança acrobática destacam-se em fotos diversas. Excertos de passistas “muito bem treinados”, de diversas escolas, ainda que “os melhores dentre eles eram, sem dúvida, os da Mangueira”, reforçam o caráter de show dos desfiles. Esse traço acrobático ficou evidente na cobertura também que lembrou do “bailarino-voador”, do mestre-sala da Unidos do Cabuçu, e do trio rítmico mangueirense, que objetivaram o aspecto cênico, ensaiado e coreografado, e que se sobrepôs, claramente, em 1963, ao samba-enredo (Manchete, 09/03/1963, p. 88-93).(4)

A partir desse viés, Isabel Valença, a “Xica da Silva” do título e esposa do presidente do Salgueiro, foi a escolhida pela imprensa como representativa do sucesso salgueirense a partir de seu caráter alegórico e cênico, cujo investimento na teatralidade já era evidente. Ela se transformou na própria materialização da personagem, incorporando-a.

O Cruzeiro descreveu em diversas páginas como a fantasia de Valença emulava a nobreza europeia, com todos os dísticos de fortuna. Ao leitor desinformado, a revista explicou toda a trajetória de “Xica” e seu caso de amor com Fernandes. Lembrando aos leitores que os casos de amor “ilícitos ou não”, eram “espelho de sentimento da nossa gente – com sua alegria honesta e simples” (O Cruzeiro, 23/03/1963, p. 05). Ao incorporar Xica da Silva, Isabel Valença seria não só a própria entidade da rainha do Tijuco, manifestada através de corpo e fantasia, mas também a primeira grande “imagem” gerada por um desfile de escola de samba. No processo de construção estética da obra de Arlindo Rodrigues, a personificação de Xica da Silva seria outro grande “destaque”. Já que ao materializar a homenageada, Isabel Valença vestiria um figurino marcante, que ajudaria a definir a ideia do que se chamaria “destaque” (MELO, 2018), assumindo protagonismo tanto da narrativa quanto estético, ao buscar se diferenciar dos outros desfilantes com seu exuberante figurino.

A imprensa periódica do período envia equipes inteiras de fotógrafos para os eventos da cidade. Entre as muitas fotografias publicadas, uma se destaca do seu conjunto: é a imagem do ator de Hollywood Kirk Douglas, ao acompanhar o desfile desses segmentos. O astro norte-americano, trazido pela Secretaria de Turismo para acompanhar o carnaval de 1963, aparece “empoleirado” na arquibancada ao lado de algumas taças de bebida. Embaixo dele, sob a arquibancada, entre as ferragens de sustentação, quatro foliões assistem ao desfile. As arquibancadas impunham uma hierarquia clara nos desfiles: se sentava quem podia pagar (O Cruzeiro, AS CORES DO SAMBA, 23/03/1963, p. 72).(5)

A imagem remete aos limites da própria festa. Mesmo nos dias em que “tudo é possível”, em que o “mundo se inverte”, a nova realidade, em seu caráter espetacular, reitera algumas hierarquias, vislumbradas no “show” e no “espetáculo”, ano a ano projetado para os turistas, principalmente os “padrão-dólar”. 

Se a espetacularização das escolas de samba não anula os encontros e os sentidos que a sociabilidade produz, ela reitera o “cada um no seu lugar”, vislumbrado na cor da pele dos que assistem, de baixo, os préstitos de seus pares. A realidade carnavalesca reforça aqui a desigualdade de oportunidades do contrato social cotidiano.

A bateria do Salgueiro trajada elegantemente no desfile de 1963. (Revista O Cruzeiro)

Do espetáculo geral para o desfile salgueirense, ambos considerados “espetaculares” e aptos para qualquer tipo de público, nacional e internacional, é possível afirmar que a imprensa, de modo geral, elegeu a forma e não o conteúdo desfilado. Nesse sentido, o Salgueiro, “uma escola muito fundamentalmente ‘show’”, nas palavras de Nilson Nobre, um dos ex-dirigentes salgueirenses, exprimia exatamente o que esses periódicos publicavam. A vitória de “Xica da Silva” foi uma vitória de uma rede de referências tecida em anos anteriores e que projetava para as décadas seguintes. E não acabaria após o carnaval, já que a escola faria uma série de apresentações do desfile em diversos eventos sociais do país. A vermelha e branca tornou-se uma atração cultural requisitada nos mais diversos eventos, assim como Isabel Valença. O extenso calendário de eventos com a presença dos componentes do Salgueiro e da própria Isabel serviu para que o desfile se tornasse ainda mais popular e ganhasse uma “áurea mística”. Para Melo (2018, p. 45), isso acabou contribuindo para reforçar o mito em torno da personagem. No âmbito mais amplo, isso ajudou a fixar o Salgueiro como uma “escola-show”, o que reforçou a percepção das escolas de samba como entidades culturais ligadas à noção de “espetáculo”.  Na cena cultural pós-desfile salgueirense de 1963, surgiriam uma série de produções usando a história de Xica da Silva como temática, como a peça “Uma tal de Chica da Silva”, produzida pelo teatro de Carlos Machado, e o filme “Samba”, com a atriz espanhola Sara Montiel reproduzindo o desfile do Salgueiro daquele ano, contando com o próprio Arlindo Rodrigues na equipe.

O primeiro campeonato da Salgueiro se deu em préstito organizado por Arlindo Rodrigues, com a ajuda de Joãosinho Trinta, a partir de referências de Fernando Pamplona, e traduz os anos de experiência da escola na temática bem como se sintoniza com os anseios de mercantilização e internacionalização os desfiles das escolas de samba. Assim, como consolida uma série de inovações estéticas e narrativas na renovação e estabelecimento do que seria a linguagem de uma escola de samba. 

Múltiplos, os protagonistas desses desfiles dialogaram, negociaram e bancaram uma escolha sem volta, como sabemos. Naquele contexto, ficou resolvido o problema da falta de reconhecimento das práticas culturais de setores marginalizados da sociedade brasileira na transferência dos desfiles e na feitura de sua imagem a símbolo de Brasil. Se do ponto de vista cultural ambos os lados saíram ganhando, o mesmo, entretanto, não pode ser dito, infelizmente, em relação à inclusão social, à equidade de direitos e de oportunidades das classes populares criadoras desse show. 

Notas

(1) Helenise Guimarães aponta que a África de Pamplona já se encontrava presente desde 1954 num projeto de decoração do baile de Gala do Municipal, rejeitado e retomado com sucesso em 1958, “com seus símbolos tribais e ‘primitivos’ agora tão adequados ao clima carnavalesco daquele nobre salão” (GUIMARÃES, 2015, p. 276). Guilherme Faria (2014) considera que os desfiles da Salgueiro de 1959-1963 foram uma continuidade da temática negra que a própria escola já desenvolvia desde a sua fundação. O que ocorreu, segundo o autor, é que esses desfiles foram ampliados “pela ação dos meios de comunicação”. Na análise do Jornal do Brasil, Faria constatou que o “pioneirismo do Salgueiro”, propalado por parte da bibliografia, não teve “tanta ênfase”. No impresso, “os enredos tidos como inovadores foram tratados de maneira formal e sem o grande entusiasmo, que marcou a narrativa sobre os desfiles dos anos 1960, na bibliografia produzida em anos recentes” (FARIA, 2014, p. 276-278).

(2) Alguns exemplos podem ser citados: Império Serrano, com “Homenagem a Antônio Castro Alves”, Unidos de Vila Isabel com “Navio Negreiro” e Unidos da Tijuca com “Assinatura da Lei Áurea” (1948); Aprendizes de Lucas com “Exaltação à Bahia” (1950) e “Estação Primeira” de Mangueira com “Casa grande e senzala” (1962) e “Exaltação à Bahia” (1963) denotam uma abordagem constante ao assunto. O próprio Acadêmicos do Salgueiro apresentou, ainda na Av. Rio Branco, desfiles como: “Romaria à Bahia” (1954), “Navio Negreiro” (1957), “Quilombo dos Palmares” (1960), “Vida e obra de Aleijadinho” (1961) e, já na Av. Presidente Vargas, “Xica da Silva” (1963).

(3) A revista enviou vinte e oito pessoas, sem diferenciar fotógrafos de repórteres, para a cobertura dos festejos, o maior registrado nesses anos: Nicolau Drei, Gervásio Batista, Gil Pinheiro, Sério Jorge, Hélio Santos, Juvenil de Souza, Alberto Jacob, Nelson Santos, Antônio Trindade, Eveline Muskat, Orlando Abrunhosa, Domingos Cavalcanti, A. Nery, Cesare Nicolai, Victor Gomes, Cláudio Carvalho, Jader Neves, Jankiel, Geraldo Mori, Jorge Butsuem, Fernando Pinto, Esdras Passaes, João Luís Albuquerque, Ney Bianchi, Clóvis Scarpino, Sérgio Alberto, José Rodolpho Câmara e Paulo Tavares. O exemplar da revista custava Cr$100 Manchete, SAMBA: O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA, 09/03/1963, p. 03).

(4) Sobre a coreografia de Mercedes Batista, o jornalista e relações públicas da Acadêmicos do Salgueiro, Nilson Nobre, relatou que a coreógrafa ensinou o “balé estilizado afro”, marcando os passos, “misturando um afro com o samba”. Questionado por Sérgio Cabral se a escola considerava isso um fato positivo, Nobre respondeu: “não resta a menor dúvida, não resta a menor dúvida. São inovações que vieram beneficiar principalmente ao público, que vibra”, e que o importante era que isso não ultrapassava o samba em si (Museu da Imagem e do Som, DEPOIMENTO ACADÊMICOS DO SALGUEIRO, 16/12/1967).

(5) Na legenda, que completa o sentido do signo, a revista saúda o “convidado especial”, que acompanhou os desfiles: o “estrangeiro e famoso: Kirk Douglas. Acostumado aos grandes espetáculos, entusiasmou-se com a passista da Mocidade que aparece à direita”. Para uma visualização completa: <http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&PagFis=148248>. Acesso em: 02 jun. 2016.

 

Referências 

ANTAN, Leonardo. Laroyê Xica da Silva: narrativas encruzilhadas sobre uma incorporação no carnaval carioca. Dissertação de mestrado apresentada ao Instituto de Artes da UERJ. Rio de Janeiro, 2019.

AUGRAS, Monique. O Brasil do samba enredo. Rio de Janeiro: Editora Getúlio Vargas, 1998.

BEZERRA, Danilo Alves. Os carnavais cariocas e sua trajetória de internacionalização (1946-1963). 1. ed. Jundiaí: Paco, 2017

BRUNO, Leonardo. Explode coração: histórias do Salgueiro. Rio de Janeiro: Editora Verso Brasil, 2013.

CAVALCANTI, Maria Laura Viveiros de Castro. Carnaval carioca: dos bastidores ao desfile. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2006.

FARIA, Guilherme José Motta. O G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro e as representações do negro nos desfiles das escolas de samba nos anos 1960. Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense – UFF – Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, 2014.

GUIMARÃES, Helenise Monteiro. A batalha das ornamentações: a Escola de Belas Artes e o carnaval carioca. Rio de Janeiro: FAPERJ, Rio Book’s, 2015.

MELO, João Gustavo. Vestidos para brilhar: a epopeia dos grandes destaques do carnaval carioca. Rio de Janeiro: Rico Editora, 2018.