HILDEBRANDO MOURA

Por Marcelo Pires

Hidelbrando Moura foi o primeiro carnavalesco do Salgueiro, assinando os desfiles de 1954 a 1958. Esse poderia ser um verbete de enciclopédia para a função que esse artista exerceu na escola, mas na realidade não é tão simples assim. A função de carnavalesco não era exatamente o que se conhece hoje. Os artistas, geralmente contratados entre os artífices da Casa da Moeda do Brasil, eram responsáveis principalmente pelas alegorias, já que exerciam essa função nas grandes sociedades. Hidelbrando não fugiu a esse modelo. Como artífice já havia trabalhado nos círculos sociais que dominavam o carnaval da época e, ao ser chamado para cuidar do Salgueiro, produziu seus dois primeiros carnavais sem muitas interferências.

Com Uma Romaria a Bahia, consegue uma terceira colocação muito comemorada, pois furava a hegemonia das três maiores escolas (Portela, Mangueira e Império Serrano). Mas o nome de Hidelbrando é marcado pela entrada do grande Nelson de Andrade como presidente e diretor de carnaval do Salgueiro. Nelson passa a interferir nos enredos e é ele quem propõe o icônico Navio Negreiro, que em 1957 se torna o primeiro grande enredo de temática negra no carnaval carioca. Em 1959, Hidelbrando participa da confecção do enredo sobre Debret, colocando seu conhecimento de barracão a serviço de Marie Louise e Dirceu Nery. Seu nome desapareceu do carnaval, mas ele ainda sobreviveu como artista vendendo suas obras em feiras de arte da lapa.